sexta-feira, 11 de agosto de 2017

KOPROSKI fala de Leonard COHEN
no GLOBONEWS LITERATURA



GLOBONEWS LITERATURA Exibido em 05/08/2017
Bob Dylan, Bruce Springsteen e Leonard Cohen lançam livros no Brasil


Três poetas do rock lançam livros no Brasil: Bob Dylan com "Tarântula“ e "Crônicas, volume 1", um relato autobiográfico; Bruce Springsteen com "Born to Run", também autobiográfico; e Leonard Cohen com "Atrás das linhas inimigas de meu amor" e "A mil beijos de profundidade". E ainda: uma conversa com Paulo da Costa e com Fernando Koproski. Alberto Mussa lança "A Hipótese humana".  

sábado, 3 de junho de 2017

Narciso para matar
Fernando Koproski, 7Letras, 2016

Em seu mais recente livro de poesia, Fernando Koproski constrói uma narrativa em verso. O poeta propõe um livro dentro de outro livro e o leitor acompanha, como em um romance, o desenrolar da história de amor e tragédia de Narciso (o jardineiro fiel) e Marina (a musa). O drama elaborado por Koproski também é regado de versos engraçados e mordazes, como neste trecho: “Professores de literatura são atores e atrizes/ Não dizem nada que não esteja no roteiro / E sabem tanto de poesia quanto um coveiro/ Entende de cálculo integral e matrizes”. Um livro que dialoga com o melhor da produção poética brasileira nas últimas décadas. 

JORNAL CANDIDO EDIÇÃO 70, MAIO/2017

NARCISO PARA MATAR (livro 1 da série “A complicada beleza”)
http://www.livrariascuritiba.com.br/narciso-para-matar-aut-paranaense-lv395563/p
CRÔNICA DE UM AMOR MORTO (livro 2 da série “A complicada beleza”)
http://www.livrariascuritiba.com.br/cronica-de-um-amor-morto-aut-paranaense-lv395564/p
A TEORIA DO ROMANCE NA PRÁTICA (livro 3 da série “A complicada beleza”)
http://www.livrariascuritiba.com.br/teoria-do-romance-na-pratica-a-aut-paranaense-lv395565/p

terça-feira, 7 de março de 2017

Leonard Cohen na revista ROLLING STONE
A Mil Beijos de Profundidade
Leonard Cohen7Letras

Rolling  Stone:
Avaliação: ✶✶✶✶✶ CLÁSSICO

por Maurício Duarte
23 de Fevereiro de 2017

Esta segunda coletânea bilíngue de poemas e letras de canções de Leonard Cohen segue o mesmo rigor da primeira, publicada em 2007, cuja seleção e tradução também ficaram a cargo do poeta Fernando Koproski. A amostra é significativa tanto em qualidade quanto em quantidade e reafirma o que todos já sabemos: que os versos do compositor e escritor são capazes de atingir alturas pouco frequentadas pelos meros mortais. O cerne da obra de Cohen está aqui – uma espiritualidade sensual, a subversão do sagrado e o deslumbramento opressivo diante da beleza do mundo e das mulheres, tudo o que de melhor o artista soube explicar para nós, com seu jeito refinado e cheio de classe. Infelizmente, ele foi mais um dos gigantes a deixar este plano terreno em 2016, aos 82 anos, logo após lançar o disco de inéditas You Want It Darker. A edição brasileira deste livro vem para nos lembrar de que o Cohen escritor teve a mesma estatura do músico, e de que ambos se complementavam de maneira exemplar.

A MIL BEIJOS DE PROFUNDIDADE
http://www.livrariascuritiba.com.br/mil-beijos-de-profundidade-a-aut-paranaense-lv409219/p
ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR
http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Lançamento de livros de Leonard Cohen reúne boa parte de sua produção poética
Reedição de duas obras traz seleção de versos aprovados pelo próprio músico

JORNAL O GLOBO
por Mariana Filgueiras
04/02/2017 4:30
RIO — No início de outubro de 2016, quando o músico Bob Dylan virou assunto no mundo inteiro por ter ganhado o prêmio Nobel de Literatura, sendo o primeiro compositor a receber o mais nobre galardão literário, foi Leonard Cohen quem escalou as melhores palavras para comentar o feito: “É como laurear o Everest por ser a montanha mais alta da Terra”.

Declaração que só podia vir de um Monte Fuji como ele. Tão imenso nas letras quanto nas canções, Cohen morreu um mês depois, em novembro, deixando além de toda trajetória musical, que é a parte de sua carreira mais conhecida, uma prateleira inteira de livros publicados — dois romances e 10 volumes de poesias, ou, como ele preferia contar, “uns vinte mil versos”.

Parte deste montante acaba de ser publicada no Brasil, em duas edições bilíngues com organização do também poeta e tradutor Fernando Koproski. Uma delas é a reedição de Atrás das linhas inimigas de meu amor, esgotada desde 2006, com poesias publicadas por Cohen entre 1956 e 1993, em seleção aprovada pelo próprio poeta.

E a segunda, A mil beijos de profundidade, com poemas escolhidos do último livro do autor, “A book of longing” (2006), que inclui ainda canções em tradução inédita — como “Thousand kisses deep”, música que batiza o livro.

— A minha ideia desde Atrás das linhas inimigas de meu amor, a primeira antologia que organizei e traduzi, era de apresentar um panorama da obra poética do Leonard Cohen, mostrando poemas representativos das diferentes fases e livros do autor. Há poemas sobre o amor, o tempo, o horror, o sagrado, o profano, a beleza, o desejo, as perdas. Como já havia trabalhado com os oito livros de poemas na primeira antologia, era certo que nessa nova coletânea daria um enfoque especial ao seu último livro, “Book of longing”. Inclui ainda algumas canções que sobrevivem como poemas mesmo sem a melodia — diz Fernando, em conversa com o GLOBO, sobre o mergulho na obra de Cohen, listando “So long, Marianne”, “Famous blue raincoat” e “I’m your man”, três dos seus clássicos.

SACANA E ERÓTICO

Se na primeira coletânea o organizador conseguiu que o próprio Cohen aprovasse sua seleção, não teve sorte com a segunda: por muito pouco A mil beijos de profundidade não ficou pronta antes da morte do músico, aos 82 anos, no dia 7 de novembro de 2016, depois de uma queda durante o sono, em Montreal.

— Foi uma pena. Ele gostava de acompanhar os seus poemas se recriando e habitando novos idiomas e culturas. Quando você lê a biografia da Sylvie Simmons, “I’m your man”, ou a biografia do Ira Nadel, “A life in art”, que também é muito boa, percebe como influenciou milhares de pessoas, de Kurt Cobain a Nick Cave. Ele começou a publicar literatura em 1956, começou a gravar discos no final de década de 1960 e manteve essas duas atividades por muitos anos, influenciando diferentes gerações de leitores em dezenas e mais dezenas de países. É impressionante como há histórias de pessoas que tiveram contato com sua generosidade, gentileza, intelectualidade ou espiritualidade cativante e criaram produtos a partir deste contato. Eu mesmo não saí ileso dessa experiência... — conta Fernando, que depois de traduzi-lo, escreveu o livro Retrato do artista quando primavera, publicado em 2014, inspirado em sua obra.

Quem lê os dois tomos na sequência percebe que Cohen vai ficando mais sacana e erótico com o tempo. Um humor sutil, contido nos poemas que abordam relacionamentos, como os que escreveu ao longo dos cinco anos em que viveu recluso no mosteiro budista de Mount Baldy, e que estão em “A mil beijos de profundidade”. Um deles é “A névoa da pornografia” (“quando você saiu da névoa da pornografia/ com seu papo de casamento e orgias/ eu era apenas um garoto de cinquenta e sete/ tentando fazer uma manobra rápida/ numa via lenta/ para mover meus lábios/ naquele lugar que não pega sol”). Outro bom exemplo é “O zen em colapso” (leia ao lado), como observa o organizador:

— São poemas que tratam da espiritualidade e ressaltam a condição humana de forma extrema, mostrando a humildade e a simplicidade da situação em que vivia na época, mas com um erotismo despudorado, bem-humorado. Há um Leonard Cohen inteiro a ser descoberto nesses poemas. Não vejo um outro artista que tenha desenvolvido uma lírica com essa grandeza ou uma trajetória similar nos campos da música e nos quadros de literatura inglesa dos últimos 60 anos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

LEONARD COHEN no GLOBONEWS LITERATURA
video
A MIL BEIJOS DE PROFUNDIDADE antologia poética de LEONARD COHEN
http://www.livrariascuritiba.com.br/mil-beijos-de-profundidade-a-aut-paranaense-lv409219/p
ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR  antologia poética de LEONARD COHEN
http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p

domingo, 22 de janeiro de 2017

Hoje chego aos 44 (do primeiro tempo, eu espero...) e lembro o poema "Perdendo as medidas" do livro "A teoria do romance na prática". Será que já estou velho o bastante para perder as medidas? Como dizia o Leonard Cohen: "Eu deveria viajar sozinho entre os pinheiros. Eu deveria me controlar. Meu deus como sua pele é macia e dourada. Eu poderia vender os túmulos de minha família. Sou velho o bastante para isso. Sou velho o bastante para ser arruinado". rsrs... Penso nisso. Escuto os solos do Eddie Van Halen em "dreams" (https://www.youtube.com/watch?v=zsXCs41DkWs). Olho minhas felinas e filhocães que ignoram qualquer uma dessas considerações... Eles encontram a resposta de forma natural, têm a sabedoria "à flor dos pelos...", e mais uma vez acabo encerrando a discussão com o velho Buk: "o que vale mais
é o teu talento
pra atravessar o
fogo"
    Agradeço aos meus amigos, minha mãe e irmãs por terem me suportado por tanto tempo... Agradeço à Ingrid, por suportar o meu pior e melhor, diariamente! E entre um solo e outro do Eddie (https://www.youtube.com/watch?v=JgxA3C52jqc), posto o poema com fotos de nosso dia a dia. Uma foto para cada estrofe do poema. Espero que vocês, meus amigos, se divirtam assim como eu me divirto e aprendo diariamente com esses meus filhos... abraços, fk
poema "Perdendo as medidas" de Fernando Koproski 
do livro A TEORIA DO ROMANCE NA PRÁTICA 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Leonard Cohen: o artesão da palavra
Nova coletânea do canadense Leonard Cohen, 'A Mil Beijos de Profundidade' revela as várias facetas do poeta.
20/01/2017

 A morte de Leonard Cohen (1934 – 2016) em novembro pegou a todos de surpresa. O cantor, compositor, prosador e poeta canadense acabara de lançar o disco You Want it Darker, que acabou se revelando um verdadeiro e belo canto do cisne. Seu último livro publicado foi Book of longing, de 2006, no qual faz uma reflexão emocionante e crítica sobre sua carreira como músico e como poeta. E são justamente os poemas dessa obra que compõem, em grande parte, a coletânea A Mil Beijos de Profundidade (7Letras, 182 páginas), organizada pelo poeta e tradutor curitibano Fernando Koproski, responsável também pelo primeiro volume poético de Cohen, Atrás das Linhas Inimigas do Meu Amor – que chega agora à sua segunda edição.

Alguns dos poemas são bem conhecidos: “Chelsea Hotel #2”, “So long, Marianne”, “Hey, that’s no way to say goodbye”, “I’m your man”, “Hallelujah” e outros. Todos eles se transformaram em canções imortalizadas pelo próprio Cohen e por uma miríade de intérpretes – de Renato Russo à Lana del Rey. De versos conhecidos a poesias confessionais, Leonard se mostrou um artesão da palavra, capaz de esculpir versos por décadas. Uma anedota contada por Sylvie Simmons, sua biógrafa, relata um encontro entre Dylan e Cohen, por volta de 1985. O compositor norte-americano – trinta anos antes de seu Nobel – pergunta a Leonard quanto ele levou para escrever “Hallelujah”, que envergonhado responde apenas: “não demorou muito, apenas alguns anos”. Quatro anos, na verdade. O embaraço fazia sentido: Dylan revelara que havia precisado de 15 minutos no banco de um táxi para criar “I & I”.

De versos conhecidos a poesias confessionais, Leonard se mostrou um artesão da palavra, capaz de esculpir versos por décadas.

Todo esse rigor fica muito claro nas linhas esculpidas de “Vai livrinho” (“Go little book): “Vai livrinho/ E se esconda/ E tenha vergonha/ De sua irrelevância”. Ou no poema que dá título para o livro e ganhou sua versão musical no álbum Ten New Songs (2001), um mantra sobre a paixão e a devoção quase religiosa de Cohen pela mulher amada. Como Koproski explica na apresentação, A Mil Beijos de Profundidade reúne as muitas personas acompanharam Leonard por toda a sua vida: o monge zen budista, o conquistador born in a suit, o silencioso, o compositor e o diplomático. Ele transitou entre todas as formas possíveis, quebrou convenções, estabeleceu padrões e, acima de tudo, foi um grande devoto da beleza.

“Se isso parece com um poema/ também posso te avisar desde o início/ que não era pra ser./ Não quero transformar qualquer coisa em poesia”, adverte em “A Canção do corno”. Por ironia, ou não, Cohen foi um verdadeiro exímio fazedor, fazendo poesia do sublime e do banal – imortalizando sua relação com o divino e também sua paixão por mulheres avassaladoras. E tudo isso, com uma elegância que se tornaria uma espécie de epígrafe do autor.

Cinza

Pensar em Leonard Cohen é refletir sobre o valor do verso, sobre a potência da poesia e a importância do fazer poético. Dizia que a poesia era uma evidência da vida: “se tua vida alimenta o fogo, a poesia é só a cinza”. No entanto, essa mesma cinza é sagrada, como uma cremação, e é jogada ao mundo pelo poeta. É com o vento que ela ganha asas e alimenta, retroalimenta a vida, e se transformando na lenha que serve de combustível para o fogo.

Por isso, A Mil Beijos de Profundidade é tão importante, criando – mesmo que por uma coincidência macabra – um belíssimo tributo a um homem que viveu cada dia de sua vida pela e para a arte.