sexta-feira, 18 de dezembro de 2015


Meus caros, estou comemorando 10 anos na editora 7Letras. E nesse tempo são 7 livros: 3 BUKOWSKIs, 3 KOPROSKIs, e o livro do COHEN. Ao todo, 10 tiragens de livros... Pois, como diz um amigo meu, "se vc for tentar, vá até o fim. caso contrário, nem comece". um brinde propício com os amigos!
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA 
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p
ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR 
http://www.livrariascuritiba.com.br/ATRAS-DAS-LINHAS-INIMIGAS-DE-MEU-AMOR-AUT-PARANA-LV220048/p
"Retrato do artista quando primavera"

http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627/p
“Retrato do amor quando verão, outono e inverno”
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-amor-quando-verao-outono-e-inverno-7-letras-lv341626/p
"Nunca seremos tão felizes como agora"
http://www.livrariascuritiba.com.br/nunca-seremos-tao-felizes-como-agora-7-letras-lv244140/p
outros livros do autor estão aqui: 
http://www.livrariascuritiba.com.br/koproski?&utmi_p=_retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627_p&utmi_pc=BuscaFullText&utmi_cp=koproski

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Uma garota que eu conheço
adormece em uma cama
e de todas as coisas adoráveis
que eu possa dizer eu digo isso
eu vejo seu corpo confuso
com as marcas de lábios
de todos os beijos de todos os homens
que ela conheceu
como um piano de cabaré
com marcas de anos de copos de coquetel
e enquanto ela avança tilintando
em sua peculiar e conhecida dança pervertida
eu caminho
pela chuva clara de novembro
punindo-a com minha felicidade

fragmento do poema “por que aconteceu de me sentir livre”
de Leonard Cohen
tradução: Fernando Koproski
este poema faz parte da antologia poética “ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR” (7Letras)  

à venda, pra todo o Brasil, pelo site das livrarias Curitiba:
http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

CAMÕES, VEJA SÓ ONDE FOMOS PARAR

enquanto as vítimas cumprem pena de vida
os estupradores têm aposentadoria garantida
policiais matadores ganham por periculosidade
e assassinos e torturadores morrem tranquilos

no país onde Menguele morreu dormindo
os medíocres é que são bem-sucedidos
eles têm uma vida financeira estável
e uma velhice pra lá de confortável

aqui os farsantes ganham prêmios literários
e cobiçam o dinheiro de leis de incentivo
escrever não é mais uma questão de estilo
mas uma barrouquidão de tantos ais

Camões, veja só onde fomos parar:
agora só os idiotas se tornam artistas
passam a vida esculpindo inconstâncias
um a um cada qual imortaliza seu nunca mais

os mais idiotas pensam em mudar o mundo
e morrem por isso e por isso morrem demais
enquanto os artistas se contentam em sonhar
com seu nome em mármore nos jornais

poema: Fernando Koproski
do livro “Retrato do amor quando verão, outono e inverno” 
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-amor-quando-verao-outono-e-inverno-7-letras-lv341626/p

“Retrato do artista quando primavera” 
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627/p

"Nunca seremos tão felizes como agora" 
http://www.livrariascuritiba.com.br/nunca-seremos-tao-felizes-como-agora-7-letras-lv244140/p

outros livros do autor estão aqui: 
http://www.livrariascuritiba.com.br/koproski?&utmi_p=_retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627_p&utmi_pc=BuscaFullText&utmi_cp=koproski

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A trilogia de Fernando Koproski – apolíneo e dionisíaco

Daniel Osiecki

David Mourão-Ferreira, grande poeta português do século XX, criador da Revista Távola Redonda no final de 1949, escreveu o artigo “Lirismo ou haverá outro caminho?”, no qual levantava questões pertinentes sobre os rumos da poesia portuguesa contemporânea que, em uma espécie de retorno às origens, vivia um momento sui generis no contexto literário dos anos 50. Mourão-Ferreira cita Paul Valéry em seu artigo, que afirmou sobre o lirismo: “le developpement d’une exclamation”, ou seja, assim como o lirismo é o desenvolvimento de uma exclamação, são líricas as primeiras manifestações poéticas de um povo.
Havendo ou não outro caminho senão o lirismo, Fernando Koproski é um poeta contemporâneo que o assume em seu fazer poético de forma sensata, madura, crítica e com extremo bom gosto. Koproski nasceu em Curitiba em 1973. Poeta e tradutor, formou-se em Letras pela UFPR, mesma instituição na qual defendeu sua dissertação de mestrado “Flores das flores para Hitler”, sobre a poesia de Leonard Cohen. Publicou os livros de poesia Manual de ver nuvens (1999); O livro de sonhos (1999); Tudo que não sei sobre o amor (2003); Como tornar-se azul em Curitiba (2004); Pétalas, pálpebras e pressas (2004); Nunca seremos tão felizes como agora (7Letras, 2009), primeiro volume da trilogia Um poeta deve morrer, composta também por Retrato do artista quando primavera e Retrato do amor quando verão, outono e inverno, ambos publicados pela 7Letras em 2014.
Nos três volumes que compõem a trilogia, nota-se frequentemente a utilização da metalinguagem como leitmotiv da poética, incluída em uma verve lírica bastante peculiar. No terceiro livro, Retrato do amor quando verão, outono e inverno, há uma espécie de ruptura com o lirismo do primeiro livro, com seus poemas em forma de narrativas curtas, muito próximos do conto. Na seção intitulada “Outono”, há o que parece ser um fluxo contínuo que liga um poema ao outro. Eles tendem a um antilirismo. Nota-se, também, a não utilização de elementos mais formais da poesia, como rimas, métrica e elementos técnicos que geralmente não fariam muito sentido num livro como esse. Forma e conteúdo são temas constantes dos poemas. Novamente a metalinguagem é bastante explorada por Koproski, e os resultados são ótimos.

“Tudo menos escrever poesia
Tudo menos escrever poesia
Como essa poesia que ganha prêmios literários
E ter que diluir uma espécie de escrita
Falsa, morta, praticamente enterrada viva”, (p. 65)

O que mais chama a atenção nos livros que compõem a trilogia é a qualidade de um livro para outro, mesmo com o hiato que há entre o primeiro, Nunca seremos tão felizes como agora, e os dois últimos, Retrato do artista quando primavera e Retrato do amor quando verão, outono e inverno, respectivamente. Koproski é um poeta experiente, com formação acadêmica, ao mesmo tempo em que aponta e critica as mesquinharias universitárias vazias e repletas por análises frias e pseudointelectuais, como manuais com formas estanques e limitadas. Nada disso escapa do crivo de Koproski. Como no poema “Livro de poesia”, do último volume da trilogia:

“um livro de poesia não é um catálogo de lingerie, algo feito para seduzir você. um livro de poesia não é um livro de registro, um manual de todas as entradas e saídas de seus desejos mais sórdidos, mais sublimes, mais egoístas. um livro de poesia não é esse livro, um livro de poesia não é o que esse livro perde por não esperar, mas o que esse livro sonha e esquece um minuto antes de acordar.” (p. 103) •

Jornal Relevo – Setembro 2015

"Retrato do artista quando primavera"
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627/p
“Retrato do amor quando verão, outono e inverno”
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-amor-quando-verao-outono-e-inverno-7-letras-lv341626/p
"Nunca seremos tão felizes como agora"
http://www.livrariascuritiba.com.br/nunca-seremos-tao-felizes-como-agora-7-letras-lv244140/p
outros livros do autor estão aqui:
http://www.livrariascuritiba.com.br/koproski?&utmi_p=_retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627_p&utmi_pc=BuscaFullText&utmi_cp=koproski



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

AMOR OBSESSIVO

o amor nunca quis matar por amor
o amor nunca quis morrer por amor
mas obsessão assim eu não acredito
olhos negros olhos verdes olhos aflitos

olhos azuis em olhos cúmulos-nimbos
um olhar termina onde outro começa
assim quando o amor mais uma pressa
do que uma prece, do que uma prece, do que uma prece

o amor fez meu verso perder a linha
tanto que pedi a deus pra você me amar
depois pedi a deus pra você morrer mas
antes que você acabasse me odiando

não sou eu quem tem que perceber
que sem mim você não pode viver
conforme o tempo for passando
você vai me dar razão, teu coração,

uma canção e tudo mais, meu bem
você pode até querer sofrer sozinha
mas se essa obsessão não for minha,
então, ela não será de mais ninguém

poema: Fernando Koproski
do livro “Retrato do artista quando primavera” (7letras)
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627/p
“Retrato do amor quando verão, outono e inverno” 
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-amor-quando-verao-outono-e-inverno-7-letras-lv341626/p
"Nunca seremos tão felizes como agora"
http://www.livrariascuritiba.com.br/nunca-seremos-tao-felizes-como-agora-7-letras-lv244140/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/koproski?&utmi_p=_retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627_p&utmi_pc=BuscaFullText&utmi_cp=koproski

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Puts, virei letrista de novo! Dessa vez com 9 canções do CD “Bárbara” do músico/compositor Carlos Machado. Os versos que escrevi são o que eu chamo de “Versos Bipolares” (às vezes se comportam como letra, às vezes como poema). Depende do dia e do humor de cada um... Como nessa canção do novo CD:

YOU’RE MY WOMAN

assim que você chegou, eu vi
você é a mulher para mim
porque entre suas pernas, amor
sou todos os sóis que se põem

assim que você voltou, eu vi
você é a mulher para mim
porque entre os seus seios, amor
sou todos os céus que se sonhem

sim, você é a mulher para mim
por ser entre todas as mulheres
todas as mulheres para este homem

sim, você é a mulher para mim
por abrir e fechar meu coração
como uma canção de Leonard Cohen

poema: Fernando Koproski
do livro “Retrato do artista quando primavera” (7letras)

música: Carlos Machado
do CD “Bárbara”

"Retrato do artista quando primavera"
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627/p
“Retrato do amor quando verão, outono e inverno”
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-amor-quando-verao-outono-e-inverno-7-letras-lv341626/p

"Nunca seremos tão felizes como agora"
http://www.livrariascuritiba.com.br/nunca-seremos-tao-felizes-como-agora-7-letras-lv244140/p
outros livros do autor estão aqui:
http://www.livrariascuritiba.com.br/fernando%20koproski

CD do Carlos: 
https://carlosmachado.bandcamp.com/album/b-rbara
https://carlosmachado.bandcamp.com/track/youre-my-woman

terça-feira, 27 de outubro de 2015

POEMA PARA PENSAR

minha cabeça não para de pensar
    quem ela pensa que é?
ao invés de pensar, ela bem
    que poderia ter mais fé
simplesmente já perdi a paciência
    de pensar no que ela quer
ela pisava em meus neurônios,
    distraída até onde puder
mas ela parece que não pensa
    apenas tropeça numa ide-

-ia e assim sem pedir licença
    segue sem deixar pista
até o próximo pensamento
    deixando minha mente mergulhar
numa piscina de areia movediça
    onde a gente afunda a todo momento
à espera de se encontrar
    em um lugar comum

essa mania de pensar ainda
    irá nos levar a lugar nenhum

Fernando Koproski
do livro “Retrato do artista quando primavera” (7letras)
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627/p
e aqui está o livro “Retrato do amor quando verão, outono e inverno” (7letras)
http://www.livrariascuritiba.com.br/fernando%20koproski

"Nunca seremos tão felizes como agora"
http://www.livrariascuritiba.com.br/nunca-seremos-tao-felizes-como-agora-7-letras-lv244140/p

outros livros aqui:
http://www.livrariascuritiba.com.br/fernando%20koproski

terça-feira, 20 de outubro de 2015

UMA PARA O ENGRAXATE

o equilíbrio é mantido pelas lesmas escalando os
rochedos de Santa Mônica;
sorte é descer a Avenida Western
e ouvir as garotas de uma casa
de massagem te chamando, “Oi Doçura!”
o milagre é ter 5 mulheres apaixonadas
por você aos 55 anos,
e a virtude é que você é capaz de amar
apenas uma delas.
a dádiva é ter uma filha mais delicada
que você, com uma risada mais pura
que a sua.
a paz surge ao dirigir um
fusca azul 67 pelas ruas como um
adolescente, com o rádio ligado no Que Amor De
Apresentador, sentindo o sol, sentindo o ronco firme
do motor retificado
enquanto você costura o trânsito.
a graça é ser capaz de gostar de rock,
música clássica, jazz...
qualquer coisa que contenha o vigor original do
prazer.

e a possibilidade que retorna,
é a profunda e depressiva melancolia
você estirado sobre você
cercado por paredes de guilhotina
furioso com o som do telefone
ou com os passos de qualquer um passando;
mas a outra possibilidade –
a alegre euforia que sempre se segue –
faz a garota do caixa do
supermercado parecer
com a Marilyn
com a Jackie antes que tirassem dela seu amante de Harvard
com a garota do colégio que todos
nós seguimos até em casa.

há isso que faz com que você acredite
em algo mais além da morte:
alguém num carro chegando
numa rua estreita demais,
e ele ou ela desvia para deixar você
passar, ou o velho lutador Beau Jack
engraxando sapatos
após estourar todas suas contas bancárias
com festas
com mulheres
com parasitas,
cantarolando, ofegando sobre o couro,
manejando os trapos
olhando pro alto e dizendo:
“que porra, eu tive isso por um
tempo. esse tempo compensa o
atual.”

às vezes sou amargo
mas quase sempre o sabor foi
doce. acontece que tive
medo de dizer. é tipo
quando sua mulher diz,
“fala que me ama,” e
você não consegue.

se você me vir sorrindo em
meu fusca azul
acelerando no sinal amarelo
dirigindo direto pro sol
estarei preso nas
garras de uma
vida louca
pensando em trapezistas
em anões com grandes charutos
em um inverno russo no início dos anos 40
em Chopin e sua mala com terra da Polônia
em uma velha garçonete me trazendo uma
xícara de café a mais e rindo
enquanto faz isso.

aprecio o seu melhor
mais do que você imagina.
as outras pessoas não contam
apesar delas terem dedos e cabeças
e algumas delas olhares
e muitas delas pernas
e todas elas
sonhos bons e ruins
e um caminho para trilhar.

a justiça está em todo lugar e funciona
e as metralhadoras e as rãs
e as cercas vivas assim irão te
falar.

poema: Charles Bukowski
tradução: Fernando Koproski
do livro “Maldito deus arrancando esses poemas de minha cabeça” (7Letras)
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p
ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR
http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

KOPROSKI fala sobre BUKOWSKI

O poeta, letrista e tradutor Fernando Koproski fala sobre a nova antologia poética que organizou e traduziu de Charles Bukowski

No Brasil, conhecemos bastante o contista e o romancista Charles Bukowski, mas muito pouco do poeta. Essa foi uma das razões, também, para que passasse a traduzi-lo? Como conheceu a poesia o escritor?

FK: Essa afirmação de que o ‘Bukowski poeta é muito pouco conhecido’ hoje, felizmente, já não condiz com a realidade. Nos últimos 10 anos, editorialmente falando, as coisas mudaram e pra melhor. Depois da publicação das antologias poéticas que organizei e traduzi do Charles Bukowski: “ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM (7Letras, 2005)” e “AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA (7Letras, 2012)”, a publicação da coletânea “Os 25 melhores poemas de Bukowski” (tradução póstuma do Jorge Wanderley) e do livro “Open all night”, publicado dividido em 4 volumes pela catarinense Spectro Editora, o ‘Bukowski poeta’ tem sido divulgado com mais amplitude no mercado editorial brasileiro e o interesse por sua obra só tem aumentado. Respondendo à segunda pergunta, conheci a obra poética do Charles Bukowski no ano 2000, quando morava na Inglaterra, estudando literatura e língua inglesa, e lavando pratos num restaurante londrino. E a identificação foi imediata.

Qual a diferença, para você, entre a prosa e poesia de Bukowski?

FK: Quando me perguntam isso, sempre me lembro de uma declaração do autor que fala o seguinte: “poesia é a maneira mais curta, mais bonita e mais explosiva de dizer”. Essa afirmação é uma chave de interpretação simples e direta para a poética desse autor que de uma maneira muito particular, soube tratar em versos de temas imperecíveis, tais como as vicissitudes dos relacionamentos amorosos, a infância sofrida nas mãos de um pai opressivo e de uma mão ausente, o percurso tortuoso de se perceber um escritor e poeta num mundo descartável, fútil e frívolo onde os grandes valores perdem valor a olhos vistos diariamente, a constatação do lento e gradual esvaziamento de quem se atira cegamente em busca das oportunidades alardeadas pelo dito “sonho americano”, sonho este que se revela falível aos que dividem a difícil realidade da classe trabalhadora. Enfim, é uma poesia intensa, liricamente provocativa, abrangente e diversificada que vê formas de beleza incomuns em lugares inusitados. E em virtude da singularidade desse olhar é que a poesia bukowskiana encontra grande expressividade e receptividade junto ao público leitor.

Como foi a recepção dos livros que traduziu? Há público para a poesia de Bukowski no nosso restrito mercado de poesia?

FK: Sim, há um público crescente, cada vez maior de pessoas interessadas na poesia do velho Buk. Posso dizer isso, levando em conta a ótima receptividade que tiveram as 2 antologias poéticas que organizei e traduzi desse autor. Em parte em função disso, e muito em virtude da grande qualidade do material literário que garimpei nesses últimos anos, é que estou lançando agora a minha terceira antologia com poemas do Bukowski. “MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)” é o título desse novo trabalho que apresenta poemas selecionados de 16 livros do autor.

Geralmente o lado mais “festivo”, digamos, da obra de Bukowski é enfatizado: as bebedeiras, os relacionamentos amorosos sem compromisso, etc. Mas a obra também fala sobre as dificuldade de um homem que não quer – ou não pôde – viver o sonho americano. Que aspecto da obra de Bukowski você acha mais significativo?

FK: Realmente o tema dos relacionamentos amorosos, ou o das aventuras etílicas, são os temas mais populares da obra bukowskiana, certamente, por serem temáticas que foram muito bem apresentadas em sua obra em prosa. Essas temáticas também comparecem com força e beleza na poesia do Bukowski. Mas outras temáticas me cativam também, tais como as considerações sobre a natureza humana, a forma ríspida e lírica com que o “velho” trata da desesperança, inquietude, considerações sobre o envelhecimento e morte, a percepção do desperdício, não só do desperdício físico de nossas vidas que são diariamente mastigadas e trituradas pela rotina de um trabalho insatisfatório, mas também a do desperdício mental e espiritual de conduzir uma existência, como se fosse um inventário de perdas, onde o sofrimento não implica necessariamente num crescimento mas apenas num longo e sistemático esvaziamento do ser humano. A poesia quando surge dessas instâncias é bela, perigosa e implacável.

Por que acha que Bukowski atrai a leitura de jovens? É apenas a linguagem acessível? O que há de mais atrativo na prosa e poesia do autor?

FK: A intensidade, concisão e beleza natural dos versos bukowskianos certamente atrai a atenção do leitor. Isso tudo aliado à coloquialidade, fruto da simplicidade no uso na linguagem extremamente comunicativa, faz com que o autor crie uma poética que fala a todos os públicos, e não somente àquele público letrado, que é tradicionalmente considerado como “público de poesia”.

No Brasil, apesar de muito lido, não há estudos sobre Bukowski na universidade. Tem alguma ideia do porquê isso ocorre?

FK: Isso pode ter acontecido no passado. Mas hoje a realidade talvez já seja diferente. Ano passado, soube que minhas traduções do Bukowski já fazem parte do programa de leitura sobre poesia norte-americana numa disciplina da USP. Assim é que os estudos começam...

Ainda há muito material poético para ser traduzido. Tem planos de fazer novas traduções?

FK: Nesse momento, através da bela iniciativa da editora 7Letras estou realizando esse sonho que era o de publicar uma trilogia de antologias poéticas. No primeiro semestre desse ano a 7Letras já reeditou as 2 primeiras antologias, o “ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM” e o “AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA”) e agora em Setembro lançou o terceiro volume da trilogia, o “MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA”. Feito isso, posso dizer que nesses últimos 15 anos, passei um propício “pente fino” em toda a obra poética publicada do autor, que consiste em mais de 30 livros de poesia, e nesse percurso tive a satisfação e a felicidade de traduzir e conviver com grandes poemas, os quais apresento em minhas 3 antologias poéticas. Espero que o leitor curta essa experiência.

Uma curiosidade. Como você negociou os direitos dos poemas. Quem cuida do espólio? O acervo ainda pertence à Black Sparrow, de John Martin?

FK: Tenho a sorte de ser assessorado por ótimos profissionais na editora 7Letras, e por ter um ótimo diálogo junto a agentes literários brasileiros e americanos. Em conjunto, tomamos decisões, as quais viabilizaram a publicação tanto dessas 3 antologias poéticas do Bukowski, quanto da antologia poética “ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR” do Leonard Cohen, que é o outro autor com quem já trabalhei de forma satisfatória em meus estudos de tradução.
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p


terça-feira, 13 de outubro de 2015

O CORAÇÃO RINDO

a sua vida é a sua vida.
não deixe ela levar porrada até uma submissão
repulsiva.
esteja atento.
existem saídas.
há luz em algum lugar.
pode não ser muita luz mas
ela vence a
escuridão.
esteja atento.
os deuses te oferecerão
oportunidades.
conheça-as, agarre-as.
você não pode vencer a morte mas
você pode vencer a morte
em vida,
às vezes.
e quanto mais você
aprender a fazer isso,
mais luz
haverá.
a sua vida é a sua vida.
conheça ela enquanto a
tem.
você é maravilhoso
os deuses esperam pra se deliciar
com
você.

Poema: Charles Bukowski
Tradução: Fernando Koproski do livro “Maldito deus arrancando esses poemas de minha cabeça” (7Letras, 2015)
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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Koproski fecha trilogia de traduções de Bukowski POESIA

Nova antologia reúne meio século de poemas de Charles Bukowski

Escritor e poeta Fernando Koproski traduziu e organizou terceiro volume com a obra do “velho safado”

14h19
Sandro Moser
GAZETA DO POVO - CADERNO G

A editora carioca 7 Letras acaba de lançar uma nova antologia de poemas de Charles Bukowski (1920–1994): “Maldito Deus Arrancando Esses Poemas de Minha Cabeça”.

O livro é organizado pelo escritor e tradutor curitibano Fernando Koproski a partir de diversas obras do “velho safado”.

Koproski usou como referência alguns dos primeiros poemas de Buk publicados no livro “Burning in Water, Drowning in Flame: Selected Poems 1955–1973” (de 1974), percorreu a obra do autor de “Barfly – Condenados pelo Vício” e “Factotum – Sem Destino”, até chegar à obra póstuma “The Continual Condition” (2009).

“Maldito Deus...” é o terceiro volume da poesia de Bukowski traduzido por Koproski e lançado pela 7 Letras.
Em 2005 saiu “Essa Loucura Roubada Que Não Desejo a Ninguém a Não Ser a Mim Mesmo Amém” (2005) e, em 2012, “Amor É Tudo Que Nós Dissemos Que Não Era”.
Bukowski é mais conhecido pelos romances que escreveu (embora tenha produzido mais de uma dúzia de antologias de versos).

Sua poesia – intensa e erótica, carregada de honestidade e drama – ganha espaço no mercado editorial brasileiro graças ao trabalho de Koproski e à chancela da editora 7Letras.

Nas palavas do tradutor curitibano em entrevista à Gazeta do Povo quando lançou “Amor É Tudo Que Nós Dissemos Que Não Era”: “Os fãs de Bukowski, ou pessoas que não se interessam necessariamente por poesia, podem apreciar seus poemas por sua abrangência. Não é preciso estar versado em poesia para compreendê-los, e como trata de temas cotidianos, acaba falando mais às pessoas”.

A trinca de livros organizado por Koproski compõem agora um panorama consistente da poesia de Bukowski.

LIVRO
“Maldito Deus Arrancando Esses Poemas de Minha Cabeça”
Charles Bukowski. Tradução de Fernando Koproski. Editora 7 Letras, 300 pp, R$ 53.

http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/nova-antologia-reune-meio-seculo-de-poemas-de-charles-bukowski-a4dt4pqlrpxbhbfi89bnso6ik
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
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ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
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AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
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